quinta-feira, 11 de setembro de 2008

O Sr. Alfredo lê as gordas.

Sim, sim. O Mundo está cheio de novidades. Notícias sobre coisas importantes e de grande interessa para a humanidade. Mas se eu quisesse escrever sobre esses assuntos tinha uma crónica no jornal ‘O Público’.

Talvez um dia apanhe o Vasco Pulido Valente (ou o VPV para os amigos…ou o Arrasador Anal para os colegas de faculdade) e lhe peça para que doe um pouco do seu sangue para eu fazer uma transfusão. Caso ele não aceite a bem lá terá de ser a mal.

Não! Não vou fazer mal ao pobre homem. Ele, coitadinho, nem tem como se defender. Então ia lá eu atacar um homem preso a uma cadeira de rodas.

Ou esse da cadeira de rodas é o Stephen Hawking? Estou a confundir as coisas então. Sei que um deles, e só mesmo um deles, é um homem realmente inteligente.

Bem. Não interessa nada.

Vou escrever umas breves opiniões sobre estes últimos acontecimentos mundiais e depois vou passar para algo que acho mais importante e que me incomoda muito mais e que acho incrível como é que ainda não foi noticiado.

Ora a guerra na Georgia… É chato, sim senhor. Mas a única coisa que eu sei sobre esse país é que o Ray Charles lhe dedicou uma música. Ainda bem que o Ray já não se encontra entre nós. Assim já não vê a desgraça que se abateu num país tão importante para ele.

A onda de assaltos que assola o nosso país é também um assunto preocupante. Primeiro porque é uma onda e se há coisa mais chata que assaltos, são os surfistas. Mal ouvem falar em grandes ondas, vem tudo para cá, com as suas manias que aquilo é desporto.

Outra coisa chata sobre isso é a própria palavra “assola” cuja tradução para inglês não é “asshole”. “Asshole” é uma palavra que não tem nada a ver com o verbo “assolar”. No entanto é uma palavra que se pode associar aos surfistas.

Outra notícia que tem trazido polémica é isto do “Large Haudron Collider” (ou LHC para os amigos…ou Anal Brutalizer Machine para os colegas de faculdade). Praticamente aquilo é uma máquina que vai nos vai dar algumas respostas. Mas pelo que consta andaram por lá 200 cientistas portugueses por isso que ninguém fique admirado se as respostas que o LHC vai dar sejam assim, vá, respostas tortas.

Porque basta um português dizer que faz qualquer coisa no estrangeiro para andar aí de nariz empinado e essa “empinadice” depois reflecte-se no trabalho.

Os outros cientistas não se admirem quando perguntarem ao LHC “Qual é a origem do Big Bang?” receberem uma resposta tipo “Se não sabes, soubesses. Pfff.”

E pior que receber uma resposta torta é saber que o LHC não é mais que um acelerador de partículas. Agora todo o gajo do ‘xuning’ ouve “Ah é um acelerador!” e vão todos querer um para pôr no carro.

Eu acredito que todas as lojas de artigos para “proxenetar a viatura” já devem ter listas enormes de “pre-order” para aceleradores de partículas, logo ao lado dos últimos bonés da moda e neons verdes.

Outra notícia é dos furacões nos EUA, que andam a assolar Nova Orleães, ou em americano, “The asshole hurricanes born in the USA, I was…”. É um horror. Mas não é horror nenhum comparado ao flagelo que avisei que iria referenciar aqui.

Exacto. É de tal forma um tamanho horror que me surpreende como é que ainda não se fizeram notícias e documentários e peças em directo sobre tal assunto. Sem mais rodeios, obviamente que falo das calças de cintura descaída usadas por raparigas que não têm cintura.

Sim. É um choque, um flagelo, um horror. Mas o que será que se passa na cabeça dessas raparigas? Ou das amigas, mães, namorados (amigos, pais, namoradas…eu não me esqueci) que não as avisam de que AQUELA PORRA FICA-LHES MAL!

Primeiro, são Calças de Cintura Descaída e para usa-las correctamente é preciso ter cintura e não uma bóia adiposa que mais parece um elefante marinho a querer fugir de dentro de um saco de serapilheira.

Segundo, se o mínimo de barriga sair do perímetro da cintura das calças então é porque essas calças não são o vosso número. O meu conselho é que experimentem uns números acima ou outra peça de roupa…mas que não seja umas calças de cintura descaída. Experimentem, sei lá…um daqueles sacos que metem na zona subterrânea dos Vidrões e usem-no da cabeça aos pés.

Terceiro, para o ‘bouquet’ de falta de auto-análise ficar completo nada como usar uma camisolinha que fica acima do umbigo ou aberta no ventre, porque assim não temos só o já referido elefante marinho como também temos o seu gémeo siamês mal-formado a querer irromper pelo lado de cima. Faz lembrar o Quato do Total Recall (se não sabem de quem falo façam uma pesquisa de imagens no Google).

Quarto, e este também vai para as meninas a quem as calças lhes fica bem…usem umas cuecas fio-dental ou tanga. Acreditem que tem muito mais ‘glamour’ do que ver-vos o rêgo quando porventura se têm de baixar. E se não é “glamoroso” nas raparigas a quem as calças de cintura descaída lhes fica bem, imaginem a abominação que é nas raparigas a quem lhes fica realmente mal.

Eu, como cidadão preocupado, talhante ‘extraordinaire’ e aficionado de um bom corpo feminino deixo-vos aqui esta sensibilização, para que se preocupem e para que tentem fazer algo para impedir que isto aconteça neste país que se considera moderno e voltado para o futuro.

Aberto todas as semanas (quiçá).

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Olimpiadas de mau gosto. Assim mesmo…sem acento!

Estão aí outra vez os Jogos Olímpicos e quando eles (os Jogos) vêm, para lá vão as nossas esperanças nacionais. Temos por lá um bocadinho de tudo, prova de que Portugal é mesmo um país que se desenrasca bem. Podemos não fazer grande brilharete nos Jogos Olímpicos, mas estamos espalhados por lá.

E com espalhados não quero dizer que os nossos desportistas se espalham ao comprido com as suas participações. Não. Nada disso. Embora poucas vezes se traga o Ouro para Portugal nestes Jogos fica sempre o espírito d'o que importa é participar.

E neste país tão invadido por estatísticas de sermos os piores e os mais pessimistas e tudo de mau, uma coisa é certa… pelo menos trazemos Ouro para Portugal nos Paraolímpicos, o que é bom. Sempre temos as melhores pessoas com deficiências.

“Eish! Ó Sr. Alfredo do Talho. Isso já é cruzar a linha do mau gosto! Eish! A gozar com as pessoas especiais! Isso não se faz. E se fosse na sua família? Eish!”

Shiu! Quietos! Não estou a gozar com nenhum deficiente. Acho até que se goza com eles em chama-los ‘especiais’. Acho que não é nada ‘especial’ ser-se cego, ou ter paralisia cerebral. É uma deficiência. Não é um atributo. E eles sabem-no e ganham medalhas de Ouro.

Os que supostamente deviam ser especiais porque correm mais depressa ou porque nadam com mais graça nem a medalha de chapa de zinco trazem.

E as pessoas que dizem “e se fosse na sua família” conseguem ser mais deficientes que os deficientes, porque sofrem de estupidez e para esses nem uma categoria nos Paraolímpicos há. Suas bestas!

Adiante. Creio que não trazemos mais Ouro dos Jogos Olímpicos porque nunca há inovação nas modalidades. É sempre a mesma treta 4 anos após 4 anos. Parece que os portugueses só sabem correr. Nunca pode faltar uma esperança atlética na Corrida, seja qual for a sua categoria: 100 m, 1500 m, barreiras, fuga aos impostos. Corrida é que não falta.

Brincar com ou criar novas modalidades olímpicas não é novidade nenhuma, eu sei. Mas não mata ninguém se eu apresentar as minhas sugestões. E as minhas sugestões até são muito básicas.

Claramente que já todos pensaram “Eheh, como era fixe atirar piranhas prá piscina. Depois é qu’era vê-lios a nadare”. Eu também pensei nisso. Mas não assassinei a língua portuguesa quando o pensei.

Sugiro que o Salto à Vara passasse a ser Tiro com Salto à Vara sobre uma Vara. O atleta tem uma vara nas mãos e uma espingarda às costas. Corre, usa a vara para saltar, quando lá em cima tem de disparar com a espingarda e acertar num alvo e depois cair o mais longe possível de uma vara de porcos que se encontrará por baixo.

Para as provas de Natação sugiro a prova de Natação Emparelhada onde dois nadadores atados um ao outro, costas com costas tem de percorrer a piscina olímpica, rodando enquanto nadam para nenhum se afogar. Também na Natação sugiro a Corrida de Sacos de Batata em Piscina. Acho que todos sabem como é uma corrida de Sacos de Batata.

A prova de Tiro podia tornar-se mais interessante se o alvo pudesse responder ao ataque tendo então a prova de Tiro ao Alvo que Riposta.

O Lançamento do Martelo teria, na minha opinião mais brilho se fosse Lançamento do Martelo Pneumático.

Os 100m Barreiras ficariam muito mais interessantes se fossem algo como 100m Barreiras Invisíveis. Puxem pela imaginação para este.

Existem tantas possibilidades…mas já me cansei.

Claro que se modalidades já há muito extintas dos Jogos Olímpicos como Jogo da Malha, Jogo da Rolha, Jogo da Moeda e Sueca voltassem ao activo, Portugal iria trazer Ouro como nos velhos tempos da descoberta do caminho marítimo para a Índia, caminho este, não sei se sabem, foi descoberto por mero acaso quando Vasco da Gama participava numa prova de triatlo nos Jogos Olímpicos de 1497. Como na altura não havia muitas bicicletas usavam-se naus. Quando chegaram à Índia foi um fartote de trazer Medalhas de Ouro, Medalhas de Caril e Medalhas de Tapete.

Estimados Leitões, estarei fechado por motivo de férias. Volto logo.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Promoção: Na compra de 2kg de entremeada fazemos-lhe uma Depilação Brasileira

Não me dou com o calor. E é algo que não é de admirar, visto que, como talhante, o meu habitat natural é dentro de um espaço refrigerado. Tenho também uma sala frigorífica onde se encontram pendurados por enormes ganchos que lhes atravessam a cabeça, vários porcos, que baloiçam tal com crianças num parque, elas também presas por um enorme gancho que lhes atravessa a cabeça.

Eish! Valha-me São Bife da Vazia. Que ideia tão macabra. É o calor. É como vos digo. Aqui o Sr. Alfredo do Talho não se dá com o calor. Só há uma única coisa que o calor traz de bom. Obviamente falo de que é altura em que muitas mulheres trazem mais carne à mostra. E eu adoro carne. Adoro ver carne. E o Verão tem carne, muita carne exposta…com depilações brasileiras…tal como os meus porquinhos pendurados.

Bem. Mas divago. Uhmm…divago parece o nome de um possível reforço para um dos clubes portugueses. O ponta de lança Giannini Divago chega ao estádio depois de longas negociações com o seu antigo clube...

Voltei a divagar. Raios partam o calor! Só vim aqui mesmo a dizer um ‘olá’ e avisar que provavelmente vou estar afastado das tarefas talhantes durante algum tempo porque…ora porque tenho mais que fazer.

Em jeito de brinde de ‘Até logo’ aqui deixo mais duas espectaculares doses da banda desenhada que mencionei no último post. E já sabem que para ver a BD no seu expoente máximo de esplendor tem de clicar sobre a imagem.

Fuquem bem e buas fúrias.


quarta-feira, 9 de julho de 2008

Vratislava Burga Durga, Sara Pitola?

Todos sabem que sou um radical liberal. Não sou, de todo, um anarquista social, muito menos um democrata amoral. E com muita certeza que não sou nem hei-de ser alguma vez a Isabel Queiroz do Vale. Pois é.

Sou radical não porque pratique desportos dessa categoria (a não ser que Levantamento da Mini já seja uma modalidade oficial), muito menos porque assista a um canal de televisão com esse sobrenome.

Sou radical porque gosto de inovar quando menos se espera. E hoje ninguém estava à espera de que este vosso estabelecimento recebesse a visita inesperada de uma banda desenhada.

“Uma banda desenhada? UAU! Ena pá, que fixe, man. Apanhou-me mesmo desprevenida que até se me saíram duas ou treze pinguinhas e agora vou ter que ir à casa de banho para lavar a bardalota mas como não trouxe uma muda de tanguinha vou ter que passar o dia à fresca, se é que me estou a fazer entender…dica, dica…pisca, pisca.”

Não faço ideia do que estás para aí a falar, nem me vou preocupar em perceber, porque cada vez que falam muito é porque mais de metade não interessa nem ao Menino Jesus (que aproveito aqui para mandar aquele abraço e mais uma vez agradecer a sua magnífica entrevista).

Mas sim. Uma banda desenhada. Uma? Eu disse uma? Deixa ver…Sim. Disse. Mas vou-me desdizer, porque também sou a única pessoa que me pode desdizer. Outro que tente alguma vez sequer fazer isso leva com um naco de 1kg da pá na tromba.

Estou tão emocionado. Sinto-me um Vasco Granja que ganhou um bilhete dourado para a grande fábrica de desenhos animados da Jugoslávia.
E por estar tão emocionado, hoje, como é a primeira vez, vou deixar duas bandas desenhadas e não só uma.
Sou um mãos largas. Agora abusem e serão essas mesmas mãos largas a dar-vos no focinho.

As bandas desenhadas foram criadas por um génio criativo que não tem mãos a medir quanto a sua criatividade...tal como não tem mãos a medir quanto à sua modestia...Exactamente como aqui o Sr. Alfredo não terá mãos a medir caso seja necessário usa-las em certas bochechas, quer faciais, quer facio-traseirais.

Koniec.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Verão e verão que tenho razão. Ão!

É Verão! Mas as condições meteorológicas ainda não têm bem a certeza. O nosso país até nisso é pobre. Até parece que o Estado também anda a falhar nas contas ao S. Pedro.

Assim ficamos com a época balnear estragada. Ou então não. Não sei. Não sou meteorologista nem vidente das estrelas.

Aqui ao Sr. Alfredo também pouco preocupa a época balnear. Não sou de praia. Ainda por cima praia nesta altura que se denomina “Época Balnear”, um nome que só faz lembrar balneários. E acho que a palavra “balneários”, supostamente, não devia trazer memórias agradáveis a ninguém. Mas quem sabe. Se calhar a alguns traz. Mas não quero saber.

O Verão é sempre a mesma rotina. De repente muitos dos estúpidos que conduzem nas nossas estradas vão embora de férias para fora do país para fazer idiotices nas estradas estrangeiras. Em contrapartida vêm condutores estúpidos do estrangeiro para substituir os nossos estúpidos. Deve ser uma estratégia divina para manter o contínuo espaço-tempo balanceado. Embora, em opinião meramente pessoal, acho que mudar uma coisa por algo igual apenas com sotaque diferente, não é das melhores estratégias de balanceamento. Mas já que os temos cá, lá teremos que os aturar.

Mas será que é assim tão difícil dar o sinal de pisca quando se está a sair de uma rotunda? Só se muito do pessoal que anda aí a conduzir tenha perdido os dedos num acidente envolvendo um foguete quando num arraial da terrinha no dia do santo padroeiro. Caso tenham passado por essa situação têm desculpa. Mas aqui fica um conselho: Para a próxima segurem o foguete com a boca, tendo no pensamento que não vão precisar da boca para accionar o pisca quando estiverem a conduzir. O pior que pode acontecer é ficarem com a cara preta, como acontece nos desenhos animados. E dizem que não se aprende nada com os desenhos animados. Bah!

Condutores estúpidos portugueses vão, condutores estúpidos estrangeiros vêm. É o equilíbrio natural. É uma espécie de diálise de estupidez às estradas da Europa.

“Mas ó grandioso e excelso Imperador das Carnes Sr. Alfredo, o Talhante, nem todos os portugueses vão para o estrangeiro e alguns dos que vão até nem vão de carro. Vão de avião.”

Sim. É verdade. Muitos ainda ficam cá. Mas como em qualquer diálise ficam sempre algumas impurezas para trás. E os que vão de avião é pena, porque bem que podiam optar por ir de carro para Punta Cana. Chegavam ao porto e seguiam viagem mar adentro. É realmente pena que alguns não o façam. E é “Sr. Alfredo do Talho”. Podes dar graxa mas nada de alterar o nome aqui do homem.

Tantos carros de matrícula estrangeira fizeram-me pensar num evento que se aproxima do nosso país a largos passos. Um acontecimento que se não for bem planeado vai gerar caos nas nossas estradas. E é mesmo disso que estamos a precisar nas nossas estradas. Mais caos. Como se não chegasse o que falei anteriormente.

“E ó iluminado e divinal Sr. Alfredo do Talho, o Visionário, que evento caótico é esse que vós falais?”

Mas tu paras com essa porra dos cognomes? Ou tenho que me chatear a sério? Raios partam!

Bem. O acontecimento que falo é do futuro das matrículas dos carros portugueses. Acho que foi algo que os nossos antepassados da DGV não conseguiram antecipar, porque na altura também não havia pessoal com muita imaginação ou com uma mente badalhoca como por vezes é a minha.

Ora bem, a primeira matrícula portuguesa foi AA-00-00. Venderam-se uma porrada de carros e quando deu a volta passaram as letras para o final. A primeira nova matrícula foi 00-00-AA. Mais uns anos passaram e mais uma porrada de carros foram vendidos (e dizem eles que andamos em crise…é…para alguns). Há pouco tempo mudou para 00-AA-00. Acho que já estão a ver onde quero chegar com isto.

Pois é.

Daqui a algum tempo as matrículas vão voltar a ser alteradas e desta vez a primeira nova matrícula será (possivelmente) AA-AA-00. Ah pois é, Manuel José (nenhum especificamente…era só para rimar)

A DGV poderá não se aperceber ao início do caos que isto poderá gerar e será tarde demais quando isso acontecer. Se forem esperto ainda resolvem o problema antes de aparecer a matrícula AN-US-00. Porque temos tantas palavrinhas de quatro letras, caros leitores e leitões. Tantas possibilidades. Tantas. Eu escolhi essa porque me pareceu ser a primeira a ir para esses caminhos ( :D ). Acho que ninguém quer andar num carro com essa matrícula. Ou então até quer. BI-CO-45…olha outra! RA-BO-22, é mais uma. E também temos outro pequeno exemplo PI-LA-10.

Isto vai ser caótico. Nem vou pôr aqui das mais brejeiras, porque as há. Ó se há. Mas só de pensar que pelo menos mais 99 carros andaram nas estradas portuguesas a mostrar o AN-US… Valha-me Nossa Senhora de Espelgases!

AD-EU-55

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Alta Entrevista

O que é que o Sr. Alfredo do Talho tem a dizer sobre este bloqueio dos camionistas?

O que eu tenho a dizer é que fizeram eles muito bem em bloquear. Ora se porventura os camionistas decidissem parar os seus grandes, pesados e ameaçadores camiões mas não os bloqueassem, tenho a certeza que a coisa não corria assim tão bem. Imaginem só se um dos camionistas não bloqueava o seu camião numa daquelas descidas manhosas que tanto há nas nossas estradas! Era ver o camião desgovernado a abalroar tudo o que lhe aparecesse à frente.

O Sr. Alfredo do Talho sabe que um camionista morreu atropelado por um camião. Que tem a dizer sobre isso?

É a lei da Natureza. Tenho muita pena, porque é menos uma boca a comer carne, porque convenhamos que para se ser camionista tem de se comer CARNE! Agora um camionista que não come CARNE é meramente alguém a fazer-se passar por uma coisa que não é.
Mas como dizia, é a lei da Natureza. Quantos domadores de leões não foram atacados e mesmo mortos pelos seus próprios leões? Quantos apicultores não foram picados pelas suas abelhas? Quantos toureiros não foram já para casa com um enorme eczema provocado por aquelas calças justinhas? É a lei da Natureza.
Aquele senhor lidava com camiões e acabou por perder a vida às mãos de um camião…ou rodas.
Pode parecer cruel, mas tanto quanto sei esse senhor estava do lado de fora do camião, agarrado a um dos espelhos. Ora, toda a gente sabe que isso não está correcto. Um camião não é como um cavalo ou uma mota. Num cavalo ou numa mota, justifica-se andar do lado de fora, agora num camião…O camião tem cabine para se andar lá dentro, tal como o carro, o helicóptero e aquele rinoceronte que aparece no Ace Ventura 2.

Então e o que acha da prestação de Portugal neste Euro 2008?

Tenho acompanhado, sim senhor. E custou-me muito o primeiro jogo porque ainda sou 1/16 Turco.
Mas para mim o futebol perdeu a graça toda já há muito tempo desde que os jogadores passaram a ser em maioria metrossexuais.
Agora é só penteados malucos e barbinhas aparadas cheias de ângulos artísticos. Agora são cabelos com nuances ou madeixas ou cristas…
O futebol perdeu muito desde que o bigode caiu. E acho que o próprio Toni notou isso quando esteve a comentar agora este jogo contra a República Checa. Faltam ali umas bigodaças aparadas abaixo do lábio inferior. E uns cabelos à jogador argentino. Sim, tal como o Futre e o Fernando Couto usavam. Acho que o Fernando Couto ainda usa.
É certo que na altura em que havia mais bigodes na Selecção Portuguesa não ganhávamos jogos como temos ganho ultimamente, mas…mas desde quando é que isto se tornou obrigatório ganhar jogos nos campeonatos de futebol? Tanta competição, Jesus.
Antes era pela alegria. Jogava-se e depois havia comes e bebes com rissóis de camarão, pastéis de bacalhau e um garrafão de bom tinto. Claro que havia laranjada para quem não bebesse vinho.
Agora com este sentimento de competição e metrossexualidade no futebol acho que os campeonatos perderam aquele encanto que havia há uns anos atrás.


É a primeira vez que o Sr. Alfredo do Talho aceita fazer uma entrevista. O que acha deste formato?


Jesus! (risos) É verdade. A primeira vez. E logo a ser entrevistado por uma personalidade conhecida em todo mundo. É uma honra para mim.
Nunca fui muito de aceitar entrevistas porque não tenho jeito nenhum para dar respostas. Tenho sempre receio que as minhas respostas sejam mal interpretadas ou que se retirem segundos sentidos daquilo que eu digo.
Muitas vezes os repórteres e jornalistas têm essa tendência a pegar numa palavra e fazerem logo um burburinho sem necessidade.
O nosso Presidente disse “dia da raça” foi logo ali um corrupio. Imagino se o homem tivesse dito algo como “A Paula Rêgo usa muito preto.”
Era logo “Aaah…O Presidente disse preto…Aah…como é que é possível?”
O Presidente já não pode dizer coisas como: “O episódio do Seinfeld que eu mais gosto é o do Nazi das Sopas.”
Os repórteres tiravam logo coisas do contexto: “Presidente da República mencionou o Nazismo num dos seus últimos discursos”
O Cavaco já não pode dizer coisas como: “Comprei um sofá em segunda mão. Encontrei-o numa loja e num estado completamente novo”
Os jornalistas vinham que nem abutres: “Cavaco anuncia que vai trazer de volta o Estado Novo”.
Jesus! Não quero que isso me aconteça. É por essa razão que nunca respondi a uma entrevista. Mas visto que ia ser entrevistado pelo filho do Todo-Poderoso, não podia recusar, Pá! Não Te esqueças de escrever Pá com P maiúsculo porque é assim como Te tratamos cá em baixo. Tratamos-Te com maiúscula.

Eu é que agradeço o tempo disponibilizado para esta entrevista, Sr. Alfredo do Talho. Algumas últimas palavras?

(risos) Tu, Pá. Não deixas escapar nenhuma. És mesmo engraçado. “Ah e tal, sou Jesus, ‘tás a ver. Tens algumas últimas palavras?” (risos)
É que isso vindo de Ti até parece que me vais levar para o Outro Lado. Assim com a luz branca e o coro de anjos. (risos) Grande Maluco este Jesus.
Mas deixo aqui um beijinho e um abraço e um estalo no cachaço a todos os meus leitores e leitões que me têm acompanhado aqui através deste estabelecimento.
Obrigado pela entrevista. Espero que te tenha ajudado em alguma coisa e olha. Dá lá um abraço ao teu pai. Diz-Lhe que vais da minha parte.

In Mensageiro dos Céus, 2008

quinta-feira, 29 de maio de 2008

E não é que...

Estou de volta.
Eu, como qualquer outro ser humano, também mereço férias. Como não faço parte daquela camaradagem toda que se junta naquela confraria chamada Assembleia da República, não consigo fazer do meu emprego férias.

Cortar “chicha” não é como estar com o rabo alapado numa cadeira enquanto se ouve um ou outro mandar umas postas de pescada sobre onde é que o governo está certo e onde é que o governo está errado. Nada disso.
A carne é uma matéria-prima que necessita de muita atenção e que tem de ser cortada com a maior precisão. Dizer mal ou bem do Governo qualquer besta consegue dizer. É só ligar a televisão na ARtv e vê-se logo que aqueles amigos nem precisam que ninguém de fora opine o que quer que seja sobre o governo, porque eles já fazem um lindo serviço no seu próprio enterro.

O País está no fosso. Não como a Birmânia, que está literalmente no fosso (ou na fossa, se preferirem), nem como a China, na qual se abriu um fosso (ou fossa, se melhor vos convier).
O País está no fosso, caros leitões. Ele é os combustíveis que não param de aumentar, ele é a crise no PSD que não pára de uma vez por todas, ele é a Vanessa Fernandes que não pára de ganhar provas, ele é as publicidades incessantes ao Euro 2008 que não param de encher a programação da televisão (mas pronto, assim o Rui Santos lá vai tendo emprego, pobrezinho… coitadinho, lá andava ele nos tascos, a beber tintos de penalti e a mandar “bitaites” sobre isto e aquilo da bola e lá alguém descobriu aquele talento dele de falar de futebol sem se cansar…), ele é os combustíveis que não param de aumentar (não me repeti…simplesmente já aumentaram mais uma vez só neste período de leitura).
E será que me apetece falar do que se passa no País? Não. Nem pouco, mais ou menos. Já me cansa. Aliás, deixo esse material para os comediantes que pelos vistos ultimamente só conseguem ter sucesso se fizerem humor em formato de noticiário e mencionarem pelo menos uma vez o Marques Mendes, o Alberto João Jardim e o Joe Berardo. E se souberem fazer imitações ainda mais engraçado fica. Ah ah ah…ah…ah...

Adiante.

Dei por mim a trautear uma canção de intervenção como daquelas que havia antes do 25 de Abril de 1974. Quer dizer… Não sei se era ou não uma canção de intervenção, porque a estava a trautear e não a cantar. Eu não sei cantar. Sei cortar carne! Por isso trauteio e não canto.
Mas o meu trautear pelo ritmo e compasso parecia uma canção de intervenção, mas sem letra. Mas se tivesse letra era uma letra de intervenção daquelas que está cheia de simbolismos antifascistas e metáforas contra o Governo regente. Mas não tem letra porque embora saiba escrever, não sei escrever letras para canções de intervenção. Sei desossar carne!
Seria uma canção como as do saudoso José Afonso (José porque Zeca era para os amigos dele e nós sabemos o que aconteceu a alguns amigos dele), ou do saudoso Paulo de Carvalho, ou do saudoso Sérgio Godinho, ou do saudoso Pedro Barroso.
Pois é. São músicos e canções que deixam saudade. Mas pronto. O que lá vai, lá vai. Das cinzas às cinzas, do pó ao pó. E embora alguns destes ainda não tenham tido o mesmo fim que o José Afonso, olhem que já o faziam, pois já nos devem uma Praça com o nome deles há algum tempo.

Mas isto fez-me pensar em certas canções de intervenção do pós 25 de Abril de 1974. Ah pois é. As canções de intervenção não acabaram assim que se fez a Revolução. Tanto mais porque havia cantores que não sabiam fazer mais nada senão canções de intervenção. E nessa altura ainda não se conseguia viver com “royalties” pelos “remixes” de discoteca.

Um exemplo óbvio dessas canções de intervenção do pós 25 de Abril é a canção vencedora do Primeira Gala Internacional dos Pequenos Cantores da Figueira da Foz em 1979. Falo, está claro, da canção “Eu vi um sapo” cantada pela (na altura) pequena e saudosa Maria Armanda, cuja letra foi escrita por essa poetisa de intervenção, a saudosa Lúcia Guimarães.

Senão vejamos:

Eu vi um sapo, um feio sapo (referência óbvia à PIDE/DGS)
Ali na horta, com a boca torta (estava lá fora a observar e não estava a gostar do que estava a ver)
Tu viste um sapo, um feio sapo (TU viste, são os BUFOS a acusarem)
Tiveste medo, ou é segredo (medo de ser levado para interrogatório; segredo porque é melhor estar caladinho)

Eu vi um sapo, com um guardanapo (ou seja, o fascista a preparar-se para tirar o comer do povo)
Estava a papar, um bom jantar (porque os fascistas comiam bem, os pobres não tinham nada)
Tu viste um sapo, com um guardanapo (TU viste, diz o BUFO!; ali com o guardanapo, a babar-se, blheck!)
E o que comia, e o que fazia? (vá, conta! Vais preso para seres torturado!)

Eu vi um sapo, a encher o papo (ali a empanturrar-se e o povo a passar fome)
Tudo comeu, nem ofereceu (o fascista fazia assim: comia tudo, não deixava nada, já dizia o Zeca…ai! Porra! O José! O José!)
Tu viste um sapo, a encher o papo (TU viste, foi? Anda lá ali à esquadra contar isso. Anda.)
E o bicharoco, não te deu troco. (o fascista, gordo, mesmo muito gordo… nem umas moedinhas…nem olhou para ti, com nojo)

Eu vi um sapo, um grande sapo (viste o fascista, o nefasto fascista)
Foi mal criado, fiquei zangado (não digas isso! Sorri! Olha que vais preso!)
Tu viste um sapo, um grande sapo (mais uma vez…BUFO!)
Deixa-lo lá estar, vamos brincar. (vamos brindar o povo com brincadeira para o manter distraído e sem noção de como os fascistas o roubavam)
Eu vi um sapo. (viste um fascista? Chamaste-lhe “fascista”? Anda. Vamos conversar ali naquele beco escuro.

Brinde aos regressos.