quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Carne velha, precisa-se!

A todos aqueles que preocupados pensaram que O Talho tinha fechado, despreocupem-se porque não fechou.
São incontáveis os e-mails que recebi de leitores assíduos e interessados na situação deste estabelecimento.
Ora, são incontavéis, pois claro, porque não recebi nenhum. Nem um! Zero! Nicles! E uma pessoa não pode contar coisas que não existem. Lá fiquei eu à espera de comentários às últimas adições de febra, mas nem essas tiveram sequer uma palavrinha. Tudo bem. Era carne fraca. Mas nem sempre se consegue ter um porco categoria A.
É como aquele pessoal que não vai para a cama com uma mulher que tem uma cara feia. Ó amigos, por alguma razão Deus Nosso Senhor deu umas costas bonitas às mulheres e por uma razão equivalente Adão e Eva inventaram a “Canzana”. Por outras razões completamente diferentes uma senhora de Semide (Miranda do Corvo) inventou a “Chanfana”. Longe vão os agrestes tempos da ditadura onde a “Canzana” voltou a ter conotação gastronómica. A escassez de cabra velha levou muita gente a recorrer à carne de cadela velha. Mesmo a batata foi substituída por barro...isto quando havia barro.
Mas divago. Dizem que anda aí um novo papão. A ASAE (Autoridade de Segurança Alimentar e Económica). E dizem desse papão que é mau e que fecha estabelecimentos comerciais caso sejam encontradas provas de desrespeito às normas da dita Segurança Alimentar. Ora...como será que estes senhores avaliam então uma “Chanfana”? É que para se fazer uma boa “Chanfana” a carne tem que ser de cabra velha, mesmo velha, quase a quinar. Mas acho que carne velha, mesmo velha, não deve cumprir as normas de Segurança Alimentar. Então como é que estes senhores lidam com este paradoxo?
Se me entram no talho e dizem com as suas vozes anasaladas:
“O Sr. Alfredo é que é o dono deste estabelecimento?”
“’Tá lá fora um letreiro a dizer “Talho Alfredo”, eu chamo-me Alfredo e tenho uma bata de talhante vestida...Não! Não sou. Sou o Alberto Barbeiro e enganei-me na loja.”
“Mas é ou não é?”
“Mas é claro que sou, pá. É preciso explicar tudo?”
“Nós somos representantes da ASAE e queremos verificar se a carne que vende no seu talho está a cumprir as normas de Segurança Alimentar.”
“Eu julgo que está. Olhe para ela no expositor...Está morta! Não se mexe. E quando veio na carrinha também já vinha morta e pendurada. Epá. Não me diga que agora também é preciso ter uma cadeirinha especial para transportar carne... É que se assim for eu não recebi a circular e olhe que eu recebo todos os meses o “Butcher’s Digest”.”
“Sr. Alberto...”
“Alfredo.”
“Sr. Alfredo...olhe que isto é sério. Parece que tem aqui carne muito velha.”
“Claro que tenho. É carne para Chanfana. Chanfana é feita com carne velha, mesmo velha, quase a quinar.”
“Mas de cabra, Sr. Alfredo.”
“Ai! Então mas a ASAE é perita em Chanfanas? Agora vai-me dizer que não posso fazer uma Chanfana de porco...ou de vaca...ou de perú...ou de galinha.”
“Tem razão, sim senhor. Vamos deixa-lo em paz e vamos à pastelaria ali ao lado para contar se os Mil-folhas cumprem aquilo pelo qual são nomeados. Muito boa tarde.”
“Boa tarde.”

Seria mais ou menos isto. Um talho imaculado como o meu só poderia passar na aprovação da ASAE. Logo, só é papão quando um é descuidado com aquilo que têm ou faz. É como a PIDE. Antes o papão era a PIDE. Todos tinham medo da PIDE e ao fim e ao cabo eles só estavam a cumprir o trabalho deles. Existiam normas. Se não eram cumpridas, claro que eles tinham que intervir. A ASAE é a mesma coisa. Eles são boas pessoas com vozes anasaladas que estão para fazer cumprir as regras. Sem eles andava aí muita gente a comer “Chanfana” com carne de cabrito, muito novo, tenrinho, ou seja, a ser enganado e sem saber.

Os melhores cumprimentos.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Um porco a andar de bicicleta??

Bah!

Isso não é nada comparado com uma costoleta e duas coxas de frango a dançar num pódio.

Ele há coisas...


terça-feira, 26 de junho de 2007

É comprido mas vale a pena, disse-me ela a mim.

Já tinha saudades disto. Eis que volto de novo com nada de jeito para dizer.

Para já, os meus caros leitores, merecem uma explicação de meu tão demorado hiato literário. Passo a explicar. Andaram aí umas insinuações feitas por pessoas que não sabem fazer mais nada senão meter-se na vida dos outros de que eu, Sr. Alfredo do Talho afinal não tinha a minha licenciatura em CTA (Ciências Talhantes Aplicadas).

Pessoas que lançam estas insinuações como quem lança posta de pescada são nada mais que isso...pessoas que lançam postas de pescada, e quem lança postas de pescada lá vai alguma vez perceber da tão complicada ciência que é o Talhanço Aplicado? Ou ter sequer noções de Gestão Carnal? Ou conhecer algo que seja de História dos Talhos? Tudo bem que demorei a receber a nota de Contalhibilidade Empresarial e o meu trabalho de Talho Técnico foi apenas uma página, mas era um dos melhores trabalhos daquela aula. “Less is more” como se costuma dizer.

Más línguas disseram que afinal eu não estava num hiato, que andava era num iate, porque tinha ganho o Eurotrilhões e não tinha avisado ninguém. Antes fosse. Outros disseram que tinha sido raptado e que segundo fontes externas tinha sido visto em três cidades diferentes de Marrocos...à mesma hora. Houve quem dissesse que estava envolvido num caso que se vem a prolongar e que já tomou proporções colossais que é o Caso Talho Dourado. Corrupção nos Talhos portugueses? Mas onde é que isso já se viu? O que é que vão atacar a seguir? O futebol, não?

Aconteceu muita coisa na minha ausência mas o que lá vai, lá vai. Vou-me concentrar na minha “presência” porque para trás urina o asinino fêmea.

Cheguei a uma conclusão. Isto já me vinha a moer o juízo há algum tempo, porque eu dizia sempre “Como é que é possível?” com um discurso exasperado de desacreditação, de cada vez que via, lia ou ouvia algo sobre este país. Os Estados Unidos da América. Muito a sério. Como é que é possível?

“Mas como é que é possível o quê, Sr. Dr. Prof. Eng. Sr. Alfredo?” perguntarão vocês e bem.

Como é que é possível eles serem assim...sei lá...assim como...como eles são...parece tudo...como hei-de dizer...parece coisa de filmes...as ideias que eles têm...os actos que cometem...o Presidente deles...é tudo tão...tão fantochado.

E foi aí que eu juntei o A mais o B e deu AB o que é absolutamente nada. AB não é nada. Pelo menos em maiúsculas. Pode até querer dizer muita coisa, pode ser uma sigla, mas assim a sangue frio não é nada. AB... ok...pode ser “ave” dita com sotaque do Norte, mas mesmo assim é estúpido.

Adiante, juntei eu umas quantas ideias e apercebi-me da verdade absoluta. Os Estados Unidos da América não passam do maior Reality Show alguma vez criado. Muito a sério. Não estou a dar tanga. É como aquele filme, “The Truman Show” só que se passa num continente inteiro. Aliás, os gajos até são engraçados porque depois até fazem filmes como o “The Truman Show” sem eles próprios saberem que são um Reality Show.

“Mas Sr. Dr. Prof. Eng. Sr. Alfredo Ph. D., como chegou a essa brilhante conclusão já por si digna dum prémio Nobel, que é uma espécie de um Oscar mas dos marrões?”

Foi simples. Ora bem. Conquistadores. Colombo. Américo Vespúcio. Magalhães. Zézé Camarinha. Não interessa. Eles foram, viram e desenharam mapas. Encontraram terreno, apalparam terreno. Encontraram nativos, apalparam nativas (e alguns nativos). O sítio era fixe. Alguns ficaram. Até aí tudo bem.

Anos passaram.

Voltemos ao Velho Continente...por volta dos séculos 16 e 17...Velho Continente... talvez Adolescente Continente. Aos 16 e 17 é-se adolescente.

Na Inglaterra andavam lá umas confusões e tal, coisas chatas, pessoal sem sal que andava a ser chagado por pessoal ensosso o que levou a esses sem sal mudar-se para a Holanda. Algum tempo depois, com medo de perder a sua identidade cultural sem sal, pediram a uns investidores Ingleses “Ó por favor, mandem-nos pro continente americano” para lá estabelecerem uma colónia. Ok. Estamos a falar de pessoal que estava na Holanda, países nórdicos. Eu já chego lá. Caaaaaaaaalma.

Eles lá foram, num barquinho para o continente americano, os chamados Peregrinos. E quem lá ia no meio deles? Quem? Nem mais nem menos que um produtor da Endemol. Já me estão a perceber?? Ah pois é!! E foi aqui que tudo começou. Eles foram para lá e começaram a criação do maior Reality Show de sempre. No barco ia lá de tudo. Escritores, operadores de câmara, engenheiros de som, guionistas...todos aqueles necessários para fazer um programa destes. E tem durado até agora. Cada vez mais escalabroso. Por isso vos digo, caros e fiéis leitores. Os EUA não são mais que um grande Reality Show. Só desta forma consigo perceber a razão para aquele povo ter como presidente o Sr. George W. Bush. Ele não é mais que o típico personagem de comic relief que todos os Reality Shows têm.

Eles andam aí.

terça-feira, 27 de março de 2007

Sou vegetariano, Sr. Salazar

E pronto. O melhor português é sem dúvida o Salazar. Quem o defendeu tinha razão. Quem esteve contra também teve razão. Quem nem aqueceu ou arrefeceu com o resultado também tinha razão. Quem naquele momento esteve a ver a novela também tinha razão.

Mas não deixa de ser esquisito. Eu não tenho nada contra o homem, mas ele foi um ditador. Ora, dessa fama ninguém o livra. Quando se fizer o concurso “Os Grandes Judeus”, eu estou a ver a Anne Frank a levar uma abada de pontos do Hitler, porque há aí umas teorias manhosas que afirmam que ele era judeu. Hitler ganha na boa. Ora…Salazar não matou nenhum Português. Pelo menos pessoalmente. O Hitler também não matou nenhum judeu. Pelos menos pessoalmente. Logo eu vejo que a vitória do primeiro é tão válida como a do segundo, isto nos seus respectivos concursos.

Antevejo, tal como Bandarra, o Sapateiro Profeta Cantor, os próximos concursos e seus resultados finais:

Os Grandes Chilenos: Vencedor : Augusto Pinochet

Os Grandes Italianos: Vencedor: Benito Mussolini

Os Grandes Chineses: Vencedor: Mao Zedong

Os Grandes Cubanos: Vencedor: Fidel Castro

Os Grandes Espanhóis: Vencedor: Francisco Franco

E por ai em diante…

Mas não deixo de estar indignado com este género de votação. Os concorrentes não suaram uma gota. Tudo bem. Alguns já morreram, vá, a maior parte. Mas mesmo assim. Por telefone? Podiam ter feito um espectáculo tipo Festival da Canção dos Grandes Portugueses, ou então visto que alguns podiam não saber cantar faziam um Aqui Há Talento Nestes Grandes Portugueses. Salazar fazia sapateado no parquet, Álvaro Cunhal fazia malabarismos com fogo, Afonso Henriques fazia uma justa contra um Mouro, Fernando Pessoa fazia umas graçolas tipo Charles Chaplin, sei lá. Assim umas coisas mais animadas que levasse os candidatos a mostrarem alguma coisa ao público.

Sim. Tudo bem. Alguns estão mortos e ressuscitá-los seria complicado. Eu entendo. Mas seria giro. Mas aquilo foi tudo muito cinzento. E a Maria Elisa bem tentou animar aquilo com umas graçolas emprestadas do colega Malato, mas sem grande resultado.

Ora, o Malato. O Malato é que apresentava aquilo que seria uma maravilha.

“AH AH AH. Prisão de Peniche…já fui muito feliz na Prisão de Peniche.” Ao bom jeito do Malato.

A RTP não teve aquele “je ne sais quoi” que a TVI teve com a “Gala das 7 Maravilhas”.
Contratavam o Filipe La Féria e ele fazia ali um espectáculo espectacular, com a Wanda Stuart vestida de Marquês de Pombal a dançar num cenário todo mecânico representativo da reconstrução de Lisboa depois do terramoto de 1755, enquanto cantava uma versão “É P’ra Amanhã” do António Variações.

Havia tanto potencial naquele programa que foi desaproveitado. Mas já está, já está. Lá ganhou o Salazar. Há que ter a mente aberta para tudo. Eu não acho estranho um Ditador ganhar um concurso, tal como não acho estranho um talhante ser vegetariano. É completamente normal. Sou a favor das duas coisas.

Volto já.

segunda-feira, 12 de março de 2007

Publicidade agressiva é boa publicidade

Recolhi hoje do limpa-pára-brisas mais um flyer informativo. Este género de publicidade não é lá muito agradável ao seu alvo.

Para já assustam logo uma pessoa. Assim que entramos no carro vislumbramos um papel no limpa-pára-brisas e a depressão instala-se. Eu pensei logo “Mais uma multa?” mas depois verifiquei que era apenas uma publicidade. O meu coração descansou e a minha carteira suspirou de alívio.

Assim que estacionei a carrinha frigorífica à porta do Talho retirei o flyer. Era mais colorido que o último, logo chamou mais à atenção. O apelo visual é muito importante. Era uma publicidade a uma conferência pública sobre Autoconhecimento, o que por si já é bastante lógico por aparecer no limpa-pára-brisas da minha viatura automóvel.

É, hoje em dia, muito importante, o Autoconhecimento.

Porquê, Sr. Alfredo?

Ora, porque nunca sabemos quando é que a nossa viatura automóvel vai ter um problema e se tivermos um mínimo de Autoconhecimento pode ser que até nos desenvencilhemos da situação.

O motor faz barulhos esquisitos? Usando o Autoconhecimento identificamos a origem.

Os discos dos travões chiam? Com Autoconhecimento sabemos que precisamos de mudar as pastilhas.

Aparece uma luz estranha no painel? Sabemos logo qual o problema porque temos Autoconhecimento.

Tudo bem. Eu se quisesse ser mecânico tinha estudo na Universidade de Mecânica, mas optei pelo curso superior de Talho Aplicado. São opções. Mas um mecânico também é senhor de ter Carneconhecimento assim como eu tenho Autoconhecimento. Um mecânico sabe como cortar um pedaço de pá de porco e um entrecosto. Nos na vida temos de ser pluridisciplinares. Mas os mecânicos optam por fazer mais publicidade. Tudo bem. Não me ofende de maneira alguma. Mas de certo modo começo a desconfiar que é por causa destas palestras de Autoconhecimento que os carros demoram tanto tempo a ser arranjados.

“Ah. Isto é só mudar a correia de distribuição mas vai ter que ficar cá dois dias ou três porque entretanto ainda tenho aí outros serviços primeiro.” Pois. Esses serviços devem ser estas palestras de Autoconhecimento. Bem que as podiam guardar para outra altura.

A mim quando me encomendam 2 quilos de bifanas, 1 quilo de costeleta do cachaço e meio quilo de carne picada de mistura não digo à clientela: “Ah, tudo bem, mas entrego-lhe isso dentro de dois ou três dias porque tenho aí outros serviços primeiro.”, querendo dizer com “outros serviços” uma palestra de Carneconhecimento.

Outros flyers que vão aparecendo são de senhores que se denominam Mestres de isto e daquilo, ou então Professores. Mas agora acho que com a polémica da opinião pública sobre os Professores têm todos mudado para Mestres…que é Professor, mas à antiga.

Mas não se pode confundir um Mestre que dá consultas de Reiki com um Mestre que faz rezas para retirar o mau olhado. Não dá, sequer, para confundir.

Porquê, Sr. Alfredo?

Eu explico, mas já estás a ser um bocado chato com tanto “porquê”.

É uma questão de nome artístico. O Mestre das rezas e feitiçarias (eu sei que dizer “feitiçaria” é redutor, mas se quisesse ser redutor mesmo tinha usado bruxaria) usa um nome, vá, engraçado, que apela imediatamente a quem lê. Mestre Djapum, Mestre Mákoka, Mestre Karaçaspá. Nomes que levam ao místico africano, ao shaman do Shaka Zulu. Uma pessoa pensa logo que o Mestre é um indivíduo de cor (digo de cor, por ser o politicamente correcto, porque como diz um compincha meu, julgo que o Sousa, preto é ausência de cor, logo é errado dizer que é um indivíduo de cor. Mas outro colega, julgo que o Pereira, constatou e constatou muito bem que saudosos eram os tempos em que se podia chamar preto a um preto e ninguém se ofendia, tal como na publicidade do restaurador Olex. “Um preto de carapinha loira...” Abel Xavier é um caso à parte porque acho que o homem faz aquilo de propósito para ser gozado.) mas o nome pode ser um engano e o Mestre Kibunda, quando se vai verificar, é branco e o seu verdadeiro nome é Tiago Lopes.

Agora o Mestre do Reiki usa nomes sofisticados como Bernardo Costa ou Pedro Vasconcelos ou Frederico Soares, que quando vamos verificar são meros nomes artísticos de indivíduos que na realidade se chamam Déricleide ou Ricardentil ou Saboá Mué.


Até mais ver

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

O dia em que Portugal cismou

Estava eu muito bem a cortar um entrecosto aos pedaços, quando o Pedrito da padaria “O Forno” (que tem o cartaz vandalizado pela garotagem e alterado para "O Porno"...estes garotos!) entrou-me pelo talho adentro e disse qualquer coisa que a princípio me soou logo estranho, isto porque o rapaz é cicioso. É difícil transcrever correctamente aquilo que o rapaz disse em escrita ou sequer foneticamente, mas posso tentar. É que para além do ciciar do rapaz ele também estava ofegante e assustado.

Não é que a padaria seja longe do talho, porque não é. Mas estamos separados por uma Nacional muito transitada e a passadeira mais próxima fica na vila mais próxima. Daí o rapaz arriscar-se a atravessar a estrada de cada vez que quer falar comigo.

Mas faz-lhe bem. Ele é jovem e visto que o dinheiro não dá para mais, esta é uma modalidade radical que lhe custa pouco. E também o ajuda no seu problema de peso. Nada como uma corrida à frente dum camião TIR para ganhar uma dose de adrenalina e perder uns quilinhos a mais. E o risco de ser atropelado, estará o leitor a perguntar (sim, porque só tu é que estás a ler isto, Pedrito, mais ninguém…e vê se largas o computador do teu primo que ele quer fazer os trabalhos da escola).

Pergunta muito bem. Não há qualquer problema para o Pedrito. Há sim é para as viaturas. O Pedrito é robusto (leia-se gordo) e se levar uma panada dum carro é o carro que fica a perder. O Pedrito, digamos, é quase um javali. E aqueles dentes enrolados também não ajudam muito a disfarçar. Os dentes enrolados são também a principal causa do impedimento de fala que ele tem. A maior tristeza dele é não poder ir à caça. Atravessar a Nacional super-transitada é uma coisa, agora arriscar-se a levar um balázio quando confundido com um javali já é mais grave.

Pois…e que raio é que o rapaz disse? Vamos lá ver se consigo transmitir por escrita. Aqui vai:

Ó Thô Alfêdo! Thô Alfêdo! Dá viu ithto? Não thentiu natha? Tava eu thothegatho lá na patharia e não é que cométha tutho a thremer. Era ver oth papothecos a cair pó thão, oth thenteioth a ethcorregar dath prateleirath. Thepoith ouvi na telefonia, uma interrupthão no programa do Thenhor Thérthio Athith, a dither que tinha thitho um thithne!! Eu dá tinha thito ao meu pai que o thithne é um doth patoth maith parigóthoth. Aintha é pior que oth gatoth. Não the confetha. É um bitho que volta e meia the pode virar contra o theres humanoth, tipo o homem e afinth. Na ráthio thitheram que tinha praí thinco quiloth e theithentas…thevia ther cá um boi, ó Thô Alfêdo. Thitha!!!

Agora imaginem isto ao dobro da velocidade e com o rapaz ofegante da corrida que tinha dado para se desviar de dois camiões TIR, um Clio, uma Pick up, um Corsa e o Aixam do Compadre Zé Fréches que se põe a acelerar naquilo como se não houvesse amanhã e sempre bêbado. O Pedrito não a tinha fácil.

Traduzindo o que o rapaz queria dizer:

Ó Sr. Alfredo! Sr. Alfredo! Já viu isto? Não sentiu nada? Estava eu sossegado lá na padaria e não é que começa tudo a tremer. Era ver os papo-secos a cair para o chão, os centeios a escorregar das prateleiras. Depois ouvi na telefonia, uma interrupção no programa do Sr. Sérgio Assis, a dizer que tinha sido um cisne!! Eu já tinha dito ao meu pai que o cisne é um dos patos mais perigosos. Ainda é pior que os gatos. Não se confessa. É um bicho que volta e meia se pode virar contra os seres humanos, tipo o homem e afins. Na rádio disseram que tinha para aí cinco quilos e seiscentas…devia ser cá um boi, ó Sr. Sr. Alfredo. Xiça!

Levou logo um calduço. Ora, o mariola do rapaz a dizer que eu devia ser um boi! Já não há respeito. Boi é ele! Boi, burro e javali! É que ainda por cima queria enganar-me.

Vim depois a saber que não tinha sido cisne nenhum, mas sim um sismo. E depois expliquei-lhe ontem e ele nada! É que é mesmo bruto. Disse que eu é que andava a “sismar”. Levou mais um calduço! Anda-me a perder o medo! Estou a ver que ainda tenho que fazer uma queixa ou outra ao pai dele.

Cisne, sismo ou cisma, o certo é que Portugal tremeu um bocadinho. Devia ter muita água no capote.

Até à vista.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Sons do meu tecto

Pois é. E já estamos em Fevereiro. E já há 5 dias. De facto é um mês que corre muito depressa. Quando damos por ele já vai no 5º dia. Pelo menos a mim parece-me. Opiniões podem divergir.

Ora com este início de, já por si, nada de jeito vamos ao tema título que muitas indagações terá provocado. Indagação, para quem não vê a 2: ou muda para a TVI quando o Professor Marcelo está a falar sobre si disfarçando com uma camada de altruísmo, é, e passo a referir, uma especulação. Agora, uma especulação não é, e isto vai para aquelas pessoas que foram ao Doutor por causa de uma tosse convulsa e normalmente acompanhada de mucosa, expectoração. Mas expectoração é sem dúvida uma pasta amarelada que se forma ao longo da traqueia e que quando puxada se transforma no tão malfadado “escarro”. “Escarro”, talvez do latim “escarreta nojentis” é útil para concursos de “quem atira mais longe” ou “quem acerta em quem”, concursos também conhecidos como “Arremesso à distância” e “Paintball dos Pobres” respectivamente.

Sim…é de facto crónico. Estou sempre a divagar e a deambular por outros caminhos que não a questão pertinente, mas isso deve-se ao facto de que eu tenho nada de jeito para dizer sobre muita coisa.

Mas vá, vamos ao tema/título. Primeiro, o que é um Síndroma? Ao certo não sei. Mas é um termo técnico da ciência. No dicionário diz que é um substantivo feminino e remete-nos para Síndrome. Já em Síndrome a história complica-se pois tem aplicações em muitos campos. E há muitos Síndromes. O de Down, o do Golfo o pré-menstrual, o de Balint, o de imunodeficiência adquirida, o comocional…são quase tantos como receitas de bacalhau. Mas seja Síndrome ou Síndroma ou até mesmo Sindroma, aquele do qual quero falar é um que eu inventei.
Síndroma de Vizinhos de Cima. Ainda sem patente.

Sofrem deste Síndrome os ditos Vizinhos de Cima. A meu parecer, quando alguém mora no andar de cima começa logo a padecer dos efeitos destes sindroma. Começa com coisas simples como o arrastar móveis a toda a hora, o deixar cair talheres e ou tachos no chão de mosaico, o ligar a aparelhagem em alto som na rádio mais foleira ao Sábado de manhã. Os sintomas são múltiplos. Mas o pior deles é os saltos altos no mosaico repetidas vezes em todas as divisões da casa. O vizinho de cima que padece do Síndroma, quando chega a casa não muda para chinelos. Muito pelo contrário. Se for um casal, com um ou mais filhos, quando chegam a casa descalçam os chinelos e mudam todos para sapatos de tacão alto. Parece que no andar de cima, todos os dias é a feira da Golegã (feira do Cavalo, para esta piada não passar ao lado). Mesmo que mudem para chinelos, o Vizinho de Cima tem que ter daqueles chinelos de praia, dos “de enfiar no dedo” que são aqueles que mais barulho fazem e constantemente se ouve “flap, flap, flap, flap” durante o dia. E estes são apenas alguns dos sintomas. Embora seja o próprio Vizinho de Cima a padecer deste Síndrome, são aqueles que os rodeiam (neste caso, quem mora no andar de baixo) que mais sofrem com esta doença. E quando chamado à atenção desta condição, o Vizinho de Cima ainda mais ímpeto dá ao seu trote.

Muitos, como eu, vivem em condomínio, e muitos, como eu, têm o azar de viver em andares rasteiros. Em casas onde o isolamento é cada vez mais precário devido aos materiais que os empreiteiros não usam na construção de modo a conseguirem mais algum para sua ajuda auto-humanitária, torna-se um pesadelo viver perto daqueles que sofrem o Síndroma de Vizinho de Cima. E não há nada a fazer senão aguentar. Nem campanhas, nem referendos, nem rastreios, nem bater de porta em porta a oferecer calendários da instituição acolhedora em troca “do que puder dar”, mesmo mostrando um certificado que garante que não estão ali a enganar ninguém, nem debates no “Prós e Contras. Não se pode fazer nada.

Até ao dia em que aparecer um surto de Vizinho de Baixo e os doentes com o Síndrome de Vizinho de Cima apanhem uma Porradite Crónica.

Cuidado.